terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Aquilo que parecia impossível, aconteceu! - A retrospectiva de toda a temporada do Botafogo!

Olá, torcedor alvinegro! Que ano maravilhoso para nós! Aquilo que parecia impossível antes do campeonato começar, tornou-se um sonho com o decorrer da competição. O que era uma sonho, foi se tornando objetivo, que ficou ameaçado e virou obrigação. Mas no fim, tornou-se realidade e todo aquele papo de obrigação - que eu mesmo e vários torcedores afirmaram também - caiu no mar do esquecimento após o apito final da partida contra o Grêmio, a confusão entre Aírton e Sassá também. Nada mais importa, o objetivo foi cumprido e a Libertadores é realidade!

Fato é que, nem o mais otimista torcedor imaginava e acreditava em uma campanha ótima no segundo turno e uma vaga na Libertadores assegurada para a próxima temporada. Em 2016, fomos do inferno ao céu, da humilhação a exaltação, da desconfiança a certeza, da vergonha ao orgulho, de um possível rebaixamento a uma vaga na competição mais importante das Américas.

Enfim, agora, vou lhe fazer um convite: vamos ver a "retrospectiva" do Botafogo nessa temporada? Fique a vontade para expressar sentimentos, dar risada ou até mesmo passar raiva outra vez!

COMEÇO DE TEMPORADA, CARAS CONHECIDAS E APOSTAS EM GRINGOS: 

Era início de ano, janeiro, e como sempre: especulações e mais especulações. Todos tinham consciência do principal objetivo do Botafogo, que era a permanência na primeira divisão. Naquele momento, era compreensível. O discurso sempre foi esse e a realidade era aquela mesmo. Começou a montagem do elenco e o que se via, era uma diretoria com um discurso otimista e pedindo o apoio do torcedor.

Elenco cheio de apostas, poucos vingaram e agregaram algo para
o Botafogo no decorrer da temporada.

Era um elenco com apostas arriscadas, vimos apostas em gringos que jogavam em times de menor expressão do futebol sul-americano, e também, um elenco que tinha Gegê como esperança, que tinha até então, um Aírton cheio de desconfiança, por conta de seu comportamento e atuações nas últimas temporadas. Tinha Diérson como uma das "boas" revelações. Tinha Lucas Zen, que recebia até então, mais uma oportunidade, tinha Octávio também, que tinha ganhado mais um voto de confiança. Tinha Lízio, que veio com status de craque do time. Craque que nem sequer jogou no campeonato brasileiro! Vamos ser sinceros, aquele elenco em si merecia apoio?

Se uma imagem vale mais que mil palavras, que dirá o vídeo. Ele irá responder essa questão por mim.

                         

Depois desse jogo, muitos torcedores previam um ano horrível na primeira divisão para o Botafogo. Previam um ano sofrido para assegurar a permanência na elite do futebol brasileiro. Depois do que vimos neste amistoso de pré-temporada, contra uma equipe que não disputa divisão, era mais do que justificável. O que vimos neste jogo, foi horroroso e torturante.

REVELAÇÃO E CAMPANHA NO ESTADUAL: 

Começou então, o estadual. Um time cheio de desconfianças após um amistoso ridículo. Um time que foi emplacando vitórias e ficou invicto durante toda a primeira fase do Campeonato Carioca. O primeiro clássico do ano, foi contra o Fluminense, e foi ali que o Botafogo fez um de seus melhores jogos na competição. Um time muito organizado defensivamente, que soube atacar na hora certa. Um grande trabalho do Ricardo Gomes, com pouco material humano. Quem diria que o Gegê ia ser um dos principais jogadores do Botafogo naquele jogo e no estadual? Foi uma partida que marcou o surgimento do Ribamar, que até então, era da base. Chegou, conquistou seu espaço e nessa partida, ele marcou o segundo gol do Botafogo no jogo, o primeiro como profissional. Em três clássicos contra o tricolor carioca no estadual, duas vitórias, um empate e três gols do Ribamar, um em cada jogo. Um garoto que surpreendeu a todos.

O garoto Ribamar foi um dos trunfos
 do Botafogo no estadual.

Um dos sérios problemas do Botafogo durante toda a temporada, principalmente no primeiro semestre, foi o setor de ataque. Tanto é que o Ribamar foi integrado na pré-temporada por escassez de opções no elenco. Foi para treinar e aproveitou a oportunidade, foi integrado de vez e tornou-se profissional. Todos nós sabemos que ele tem alguns fundamentos que não foram totalmente desenvolvidos. O passe e a cabeça erguida são os principais fundamentos que ele faltou evoluir. Por isso que acho que a subida dele foi muito precipitada, muito por conta de certas pessoas que não trouxeram atacantes para a disputa do estadual. Ou seja, subiu muito cedo, na minha opinião. Mas mesmo com esses ingredientes, ele terminou o estadual eleito como um dos melhores atacantes e a revelação do campeonato, foi decisivo na semifinal contra o Fluminense e de quebra, foi convocado para um período de treinos com a Seleção Brasileira sub-20. 

Mas, vamos falar sobre a equipe do Botafogo, pouco qualificada tecnicamente, mas muito organizada. A principal qualidade da equipe do Botafogo nesse estadual, foi a parte defensiva. Aliás, foi talvez a principal característica do Botafogo na temporada! O que justifica, é o returno do Botafogo no Campeonato Brasileiro, com apenas nove gols sofridos em todo o segundo turno, mas isso é assunto para depois. 

Enfim, o Botafogo terminou a primeira fase do estadual invicto, sem perder nenhum clássico, com 22 pontos e se classificou para a segunda fase com a primeira colocação em seu grupo, na frente do rival Flamengo. Na segunda fase, a equipe caiu de rendimento e perdeu a sua invencibilidade, mas conseguiu se classificar na terceira colocação para a semifinal, sendo dado como "surpresa" por muitos jornalistas "conceituados" sobre futebol. 

Sim, eles não estavam errados. Só que aí entra um detalhe extremamente importante: o peso da camisa do Botafogo e toda a sua tradição! Querendo ou não, a camisa pesa em certos confrontos. Quando existe a vontade e a organização com o peso da camisa, isso de uma certa forma, consegue suprir a parte técnica, na minha opinião. Os jornalistas estavam certos? Sim. Mas esqueceram desse detalhe que faz uma tremenda diferença. Pareciam que eles estavam falando de um time pequeno, e era comentários e análises parecidas com comentários feitos sobre o Audax, sensação no início do ano! Faltaram respeito com o Botafogo, essa é a verdade.

Botafogo no estadual era uma equipe fraca e limitada
tecnicamente, mas muito organizada.

Chegou a semifinal, a equipe fez uma bela partida contra o Fluminense, venceu pelo placar de 1x0 e se classificou para a final, surpreendendo muitos que davam o Botafogo como eliminado na fase crucial do campeonato. O que muitos não acreditavam, aconteceu. No primeiro jogo da final, o Botafogo foi melhor, mas encontrou um Vasco mais eficiente. Marcação forte e organização, o Botafogo soube tirar proveito disso, mas não foi o suficiente para evitar a derrota. Sassá, que praticamente não jogou o campeonato, chegou pra poder jogar exclusivamente aquela final. Foi expulso após uma entrada dura, foi infeliz no lance. Ainda por cima, os vascaínos contaram com a falha de Jefferson, e Jorge Henrique fez o gol do primeiro jogo da final. 

Uma semana depois, veio o segundo jogo. O Botafogo precisava vencer por 2x0 para poder conquistar o título estadual. Resultado não veio, o gol do Botafogo até saiu, com Leandrinho. Mas o Vasco empatou com Rafael Vaz, agora jogador do Flamengo. Erros de arbitragem foram cruciais nessa segunda partida da final, fizeram diferença. Faltou atacantes com mais experiência, apesar do Ribamar ter feito uma boa competição. 

O Botafogo chegou na final e fez uma boa campanha, mas todos nós sabemos que estadual não serve de parâmetro para nada. Qualidade de uma Série A é muito superior a qualidade de um estadual. Apesar da perda do título, o Botafogo chegava para o Campeonato Brasileiro com um único objetivo: permanecer na Série A. 

A PERDA E O PÉSSIMO INÍCIO NO CAMPEONATO BRASILEIRO: 

No dia 12 de maio de 2016, numa quinta-feira, num jogo válido pela Copa do Brasil, surgiu uma perda enorme: o goleiro Jefferson. O jogador que está há mais tempo vestindo a camisa do Botafogo, que fez inúmeras coisas, tanto dentro como fora de campo em prol do Botafogo, teve uma lesão rara no tríceps. Até aí, o desfalque dele já era uma preocupação grande, pois o Botafogo ia disputar o Brasileirão com um único objetivo. A perda de seu ídolo, do jogador de referência que o Jefferson é dentro do Botafogo para mim, pessoalmente falando, foi triste demais.

"Previsão é de uma recuperação de 3 meses, com isso, Jefferson perderá todo o primeiro turno do Brasileirão". 

O mais natural naquele momento, aconteceu. Helton Leite, reserva imediato de Jefferson, entrou pra substituí-lo por esse período. Um goleiro que teve boas atuações quando o Jefferson esteve fora por conta de convocações. Era a chance dele ter uma sequência que ele esperava há um bom tempo. Entrou e falhou em vários jogos. Talvez, o ritmo de jogo tenha pesado, mas isso não importava naquele momento. Com Helton Leite sendo muito contestado pela torcida, o Botafogo correu atrás de um outro goleiro que resolveu, mas isso é assunto para o próximo "tópico".

Enfim, começou o Campeonato Brasileiro! O Botafogo estava de volta a elite do futebol brasileiro e tinha um objetivo traçado. O primeiro jogo foi contra um misto do São Paulo, sub-20 e reservas, pois os titulares foram poupados por conta da Libertadores. A expectativa era a melhor possível, jogando com o mando de campo e com a torcida maior. O Botafogo não "botafogueou", não acho que esse seja o termo para se referir sobre aquele jogo. Mas sim, incompetência! Fora o jogo horrível que aquela equipe fez contra os reservas do São Paulo. O nosso departamento de futebol montou um péssimo elenco no início, mas tropeços precisaram acontecer para a diretoria enxergar o péssimo plantel que havia montado.

No primeiro jogo do Botafogo na volta a elite,
derrota para o São Paulo.

Com esse jogo, alguns "comentaristas" já cravavam o Botafogo na briga para fugir do rebaixamento. Estavam certos naquele momento, mas cometeram equívocos. Esqueceram que havia mais 37 RODADAS a serem disputadas e esqueceram também, do peso da camisa do Botafogo. O comediante Neto, ex-jogador e "comentarista" da Bandeirantes, afirmou que o Botafogo havia caído já no início do Campeonato! Sim, mas o resto é história e iremos falar sobre (risos).

Passou-se esse jogo contra o São Paulo, e o primeiro turno havia sido como o esperado para muitos torcedores, jornalistas e outros. O primeiro turno do Botafogo foi: 19 jogos, 5 vitórias, 5 empates e 9 derrotas. Mas começamos a arrancada no final desse turno, contra o Palmeiras, líder da competição. Vitória por 3x1 sobre os atuais campeões brasileiros. A arrancada estava só começando.

A MELHOR PERDA DO ANO E OS REFORÇOS ESSENCIAIS: 

Antes do segundo turno começar, nos aconteceu a melhor perda do ano. O São Paulo havia perdido o seu treinador na época, Edgardo Bauza, para a Seleção Argentina. O São Paulo apresentou uma proposta para o Ricardo Gomes e ele tomou a decisão de ir para o Tricolor Paulista. Ele havia recebido uma proposta do Cruzeiro, mas recusou. Deu a seguinte declaração: "meu 2016 será todo alvinegro". Realmente, a torcida esperava que fosse isso, mas não foi isso que ocorreu.

Ricardo Gomes rejeitou proposta do Cruzeiro,
mas aceitou proposta do São Paulo.

Ricardo Gomes deixou o Botafogo no meio do campeonato e na zona de rebaixamento para assumir o São Paulo. O clube que abriu as portas para ele depois de 4 anos longe do futebol! Ele foi mais um dos muitos ingratos que vieram para o Botafogo, visando se promover. Assumiu o São Paulo, livrou a equipe do rebaixamento, mas deixou o time na parte de baixo da tabela e foi demitido antes do fim do campeonato.

"Ah, cadê a coerência? Você falou que o Ricardo Gomes fez um bom trabalho no Botafogo". 

Realmente fez! Não tem como tirar méritos. Pegou uma equipe limitada no início do ano e conseguiu levá-la a final do estadual, além de montar um sistema defensivo muito forte. Mas, ele não conhecia a fundo a própria equipe, como o nosso atual técnico conhece. Na minha opinião, ele visava apenas em livrar o Botafogo do rebaixamento, e não alcançar algo maior na competição, além de não impor uma postura ofensiva na equipe. Por que foi a melhor perda do ano? Se você for comparar os dois turnos do Botafogo no Brasileirão, você vai notar tamanha diferença e vai ver quem fez o trabalho melhor em cada turno, se foi o Ricardo Gomes ou se foi o Jair Ventura.

Enfim, todos sabem que o Botafogo, mesmo com a campanha excelente que fez no segundo turno, sabe que a equipe tem limitação técnica e poucas opções que realmente agregam dentro do campo. Mas teve jogadores que chegaram ao clube esse ano e agregaram muito dentro de campo e fizeram a diferença para que o Botafogo chegasse a Libertadores.

Carli, Sidão e Camilo foram as
melhores contratações do Botafogo no ano.

JOEL CARLI: foi o primeiro reforço do Botafogo para a temporada. Atuou bem no estadual, mas não conseguiu jogar boa parte do primeiro turno, por conta de lesão. Mas no segundo turno, foi fundamental para que o Botafogo tivesse uma excelente campanha. Tanto é que com ele na defesa, o Botafogo só tomou 9 gols em todo o segundo turno. Seguro pelo alto e por baixo, formou uma defesa sólida com Emerson Santos e foi o melhor gringo que o Botafogo contratou em 2016. De todos que vieram, ele foi disparadamente o melhor. Está certo que ele se estressou e se envolveu em confusões, e com isso, tomou cartões bobos. Mas isso foi compensado com boas atuações. Sem dúvida alguma, foi um dos melhores zagueiros do Campeonato Brasileiro.

SIDÃO: veio do Audax, foi vice-campeão estadual com o time de Osasco. Chegou ao Botafogo no início do Brasileirão para disputar vaga com Helton Leite. Ganhou oportunidade e não saiu mais da meta alvinegra. Foi um goleiro importante durante toda a competição, foi muito bem quando a equipe precisou dele, fazendo grandes defesas. Além disso, não sentiu a pressão de substituir o Jefferson e foi um dos melhores goleiros da temporada no futebol brasileiro, indiscutivelmente.

CAMILO: veio para suprir a falta de qualidade no setor de meio-campo do Botafogo. Conseguiu "fazer o grosso", caiu como uma luva nessa equipe e virou uma peça intocável no time do Botafogo. Chegou e fez uma bela estreia com gol e assistência. Carregou o setor de criação pelo meio e isso pesou para ele durante o campeonato. Naturalmente, o nível de atuação caiu. Mas foi uma das peças mas importantes do Botafogo nessa competição. Autor de golaços como esse, marcado diante do Grêmio, na antiga Arena Botafogo:

                        

Foram reforços essenciais para a nossa arrancada no campeonato. Sem citar o Aírton, que voltou a jogar em alto nível após ter sido dispensado no ano passado, voltou no mesmo ano, mas só que ficou de fora dos planos. Esse ano, foi lhe dada uma segunda chance e ele agarrou, e voltou a jogar muita bola. É o equilíbrio da equipe do Botafogo e se tornou também uma peça intocável.

Vale citar também, o faro de gol do Sassá. O Botafogo sofreu durante toda a temporada com falta de opções no ataque. Reforços chegaram, mas não conseguiram render o esperado. Ruindade? Bem provável que sim. Mesmo tendo muito a evoluir, o Sassá foi uma das peças importantes no setor ofensivo. Foi o principal artilheiro da temporada, com 14 gols. Sem dúvida alguma, foi um jogador importantíssimo na temporada para o Glorioso.

COPA DO BRASIL E O VEXAME NECESSÁRIO:

O assunto a ser abordado agora é a Copa do Brasil. Começamos com uma vitória sobre o Coruripe de Alagoas, ganhamos de 1x0 com gol de Luís Henrique. No jogo da volta, empatamos por 1x1, no que talvez tenha sido o jogo mais vergonhoso da temporada no contexto geral. Público de 261 pessoas, com um time ridículo em campo e uma atuação digna da equipe do Águia de Marabá, com todo respeito ao clube que foi citado.

Na segunda fase, enfrentamos o Juazeirense da Bahia. No primeiro jogo, a equipe venceu por 2x1 e quando saiu o segundo gol, fiquei com uma esperança grande do Botafogo se classificar sem precisar do jogo da volta, esperança que morreu com um gol de falta do time baiano. Nesse mesmo jogo, perdemos o Jefferson pro resto da temporada por conta de lesão. No segundo jogo, em Los Larios, mais um público pífio e mais uma vitória sofrida contra a fraca equipe do Juazeirense. Octávio deu início a jogada para o gol de Neílton, e na comemoração, foi provocar os poucos torcedores que estavam presentes no estádio para empurrar a equipe. Quem é Octávio pra exalar algum tipo de marra? Chega a ser piada (risos).

Chegamos na terceira fase, contra o Bragantino, que na época era a equipe do Alemão, agora jogador do Botafogo. Jogamos em Bragança e empatamos por 2x2, com GOL DE DIÉRSON! ISSO MESMO! Inclusive, não é exagero nenhum dizer que ele foi um dos melhores jogadores do Botafogo naquela partida. No jogo da volta, ganhamos por 1x0, já com a Arena Botafogo e com o Jair Ventura no comando. Gol de VINÍCIUS TANQUE! ISSO MESMO! Por incrível que pareça, ele foi o autor do gol da nossa classificação para as oitavas.

Tivemos o sorteio das oitavas de final, pegaríamos o Cruzeiro. Começaríamos jogando em casa, depois decidiríamos a vaga no Mineirão, em Belo Horizonte. Mas, não tivemos horizontes belos nas oitavas da Copa do Brasil. O jogo era na Arena Botafogo, um excelente achado da diretoria para poupar a equipe do Botafogo de viagens desgastantes na temporada. Time titular, com um certo embalo no Campeonato Brasileiro. A situação era a seguinte: ganhar por uma boa vantagem de gols e chegar em Minas Gerais com o regulamento no braço e jogar administrando a vantagem. Na prática, parecia que o mando de campo foi da equipe adversária... 5x2, fora o baile do time celeste!

Ábila comemora mais um gol do Cruzeiro
sobre o Botafogo nas oitavas da Copa do Brasil.

Dentro de campo, foi literalmente um baile do Cruzeiro. Na primeira etapa, tivemos um Botafogo até consciente, sabendo o que queria, mas pra variar, uma defesa toda atrapalhada e sem eficácia alguma. No segundo tempo, isso ficou extremamente nítido, por conta do passeio da equipe adversária. Qualquer pessoa poderia fazer essa análise, literalmente! Não precisava nem entender profundamente de futebol, a defesa do Botafogo naquela partida foi o cúmulo do ridículo!

O pior jogador do Botafogo naquela partida? Sem dúvidas, foi um dos piores zagueiros que eu vi atuar no Botafogo até hoje! O nome do cidadão - já que não podemos chamar de jogador - é Renan Fonseca. O principal responsável por duas eliminações seguidas do Botafogo na competição. Mas, esse vexame foi necessário. Necessário para que o Renan Fonseca tenha virado a última opção para a defesa do Botafogo pelo resto da temporada. É com as derrotas que nós aprendemos, e nesse jogo, o Jair aprendeu a colocar o Renan Fonseca, só quando não tiver mais opções disponíveis para a zaga. Desse jogo em diante, os rumos do Botafogo na temporada foram outros.

FIM DO RISCO DE QUEDA E UM NOVO OBJETIVO TRAÇADO: 

No início do Campeonato Brasileiro, já na primeira rodada, muitos já cravaram o Botafogo na briga contra o rebaixamento, e isso só foi se justificando nas rodadas seguintes. Derrota de 1x0 para o Cruzeiro, derrota de 3x0 para o Santos, derrota de 3x1 para o Corinthians. Mas, com a casa provisória, com a efetivação do Jair Ventura e com a chegada dos reforços já citados no texto, o Botafogo arrancou e calou a boca de muitos "conceituados" sobre futebol. Já tocamos nessa parte e isso aqui agora não deve ser abordado novamente.

Enfim, chegou o segundo turno e chegou a partida contra o Internacional em casa. O Botafogo naquele momento da competição, já brigava por uma vaga no G-6. A equipe tinha 44 pontos até então. Ou seja, para uma equipe se livrar definitivamente de qualquer risco de rebaixamento, ela precisa de 47 pontos. O discurso adotado pelo Jair Ventura era: "objetivo é livrar o Botafogo definitivamente para depois, traçar uma outra meta". Quando terminou a partida contra o Corinthians, os dois times tinham a mesma pontuação na tabela, mas os objetivos eram bem distintos, apesar de estarem na mesma situação.

Agora, vamos falar sobre a partida contra o Internacional. Por incrível que pareça, a situação que imaginavam o Botafogo durante todo o campeonato, era a que o Inter que estava passando. Uma primeira etapa bem tranquila do Botafogo, sem passar sustos. O Internacional com uma marcação forte e estudando bastante o Botafogo. O segundo tempo foi totalmente diferente.

No segundo tempo, Vitinho praticamente
jogou sozinho e infernizou a defesa de seu ex-clube.

Chegou a segunda etapa e o Internacional tomou uma postura diferente da qual havia adotado no primeiro tempo. Uma atuação impecável de Vitinho, que protagonizou uma excelente jogada, mas parou em Sidão. O Botafogo partiu pra cima, exagerou - como sempre - nas bolas aéreas, e não obteve sucesso. Por volta dos 39' minutos do segundo tempo, pênalti de Eduardo em cima de Sassá. O Botafogo precisava da vitória para entrar de vez no G-6 e espantar o fantasma do rebaixamento. Sassá pegou a bola e assumiu a responsabilidade. Bateu bem, bola de um lado, o excelente goleiro Danilo Fernandes do outro e vitória por 1x0. Ali, acabava-se qualquer chance de queda. Pênalti muito contestado pelos colorados, principalmente por Vitinho.

Sim! O que nunca passou pela cabeça da maioria da torcida do Botafogo, estava acontecendo: o time na briga por uma vaga na Libertadores e sem risco de rebaixamento. Um objetivo foi traçado e alcançado. O que era considerado um sonho para muitos botafoguenses ao decorrer dessa arrancada, estava virando realidade. A outra meta estava traçada e os rumos do Botafogo na competição eram direcionados para um horizonte muito melhor do que encontramos em outro campeonato, e por coincidência, no mesmo palco de um dos maiores vexame do ano. Próxima meta? Libertadores!

ARRANCADA E IDENTIFICAÇÃO COM A ARENA BOTAFOGO: 

Com a eliminação na Copa do Brasil, o Botafogo só tinha o Brasileirão para concentrar seus focos na temporada. Até então, tínhamos um jogo a menos. Esse jogo marcou o início de uma arrancada espetacular da equipe comandada pelo Jair Ventura. Jogo que tivemos pelo menos mais de 5 mil pessoas no estádio, que tiveram o privilégio de presenciar um golaço do Camilo, que será por muito tempo, o gol mais bonito do Estádio Luso-Brasileiro.

Ganhamos por 2x1 do Grêmio e com uma atuação totalmente diferente que a equipe teve no jogo anterior contra o Cruzeiro. Definitivamente, a solução dos problemas foi ter sacado o Renan Fonseca do time! Mudamos da água pro vinho! Tivemos dois jogos antes desse jogo contra a equipe do Grêmio. Ganhamos do São Paulo fora de casa e do Sport, no dia que a Seleção Brasileira havia ganhado o ouro olímpico. Mas esse jogo contra o Grêmio marcou o início da nossa arrancada no Campeonato.

Depois, vitória sobre o Fluminense na Arena, o terceiro clássico vencido no ano. Uma vitória espetacular pra cima do Cruzeiro, no Mineirão! Com vários desfalques, Emerson improvisado de lateral, ganhamos o jogo. Temos que ressaltar o grande achado do Jair: a improvisação do Diogo Barbosa mais a frente, como um meia para auxiliar o Camilo na criação das jogadas. Foi uma forma de encaixar o Alemão, o Victor Luis e o Diogo no mesmo time. Só um detalhe desse jogo contra o Cruzeiro: não tivemos o Renan Fonseca em campo! Com grande atuação de Victor Luis nesse jogo, os gols foram feitos por Canales e Camilo, que fez mais um golaço.

A partir daí, vitórias contra: Vitória (fora de casa), Corinthians, Figueirense (fora de casa e com gol de Bruno Silva aos 46' minutos do segundo tempo), Internacional (jogo que encerrou qualquer chance de rebaixamento), Atlético-MG (jogo que iremos falar sobre agora), e Santa Cruz.

Comemoração de Dudu Cearense em um
dos melhores jogos do Botafogo na temporada.

O jogo que mais marcou essa arrancada do Botafogo na competição, foi contra a fortíssima equipe do Atlético-MG. Um jogo que começamos ganhando por 2x0 no primeiro tempo, e com muita autoridade contra a equipe de Fred, Lucas Pratto, Otero, Cazares, Victor, Maicosuel e etc. Tudo se encaminhava para um placar elástico e talvez até uma goleada, a sensação que a torcida tinha no final do primeiro tempo era essa, pelo menos a maioria.

No segundo tempo, o panorama mudou e a expectativa se transformou numa realidade cruel. O time foi outro no segundo tempo e o Botafogo sofreu o empate, gols de Fred e Leonardo Silva, de cabeça. O Botafogo sofreu com a pressão do Galo na maior parte do segundo tempo e foi reagir no final. Após um escanteio cobrado por Camilo, Dudu Cearense subiu mais alto que a defesa do Galo e fez o gol da vitória espetacular do Botafogo. Relembre, assistindo os gols dessa partida memorável:

                          

A garra, a raça, a luta e a entrega em campo de cada um dos jogadores, dava-se a entender e tirar a conclusão perfeita: o Botafogo entrava de vez para a disputa da vaga na Libertadores!

O mais lindo desse jogo, foi a torcida! Empurraram durante o jogo todo, e foi uma explosão após o gol do Dudu Cearense. Ali na Arena Botafogo - casa do Botafogo durante o Campeonato Brasileiro - não era qualquer time que era capaz de ganhar. O time que entrava ali, sentia a pressão da torcida, o clima era totalmente favorável ao Botafogo, e tinha toda uma atmosfera, que na minha opinião, é difícil de se ver hoje em dia nos estádios brasileiros em um único lugar, favorecendo uma equipe.

Considero a Arena Botafogo como o principal fator da arrancada do Botafogo na temporada. Foi um dos melhores acertos da atual gestão. Um estádio que nós havíamos adaptado antes - juntamente com o Flamengo - para jogar o Campeonato Brasileiro em 2005. Naquela época, já era um caldeirão, nessa temporada então, com as nossas cores, não dividindo o estádio com nenhum clube e com as boas atuações do Botafogo, a identificação com a Arena Botafogo foi sensacional, por conta desses fatores. Por conta da capacidade do estádio, a pressão ali era algo diferente, era um caldeirão. Sem dúvida, foi um dos principais aliados para essa arrancada do Botafogo na temporada, se não foi o principal.

Arena Botafogo, um grande achado da
atual gestão que comanda o Botafogo.

Apesar da Arena ter sido excelente e extremamente benéfica para o Botafogo - no meu ponto de vista - tivemos uma aventura legal jogando lá na temporada. O Botafogo até cogitou administrar a Arena juntamente com o Nilton Santos, mas o gasto era alto e o Flamengo acertou para jogar lá em 2017. Não podemos desprezar e cuspir no prato, daquilo que foi excelente para nós no contexto geral da coisa. Fica aqui minha gratidão e o meu profundo agradecimento a Portuguesa-RJ pela hospitalidade que teve com o Botafogo e com toda a sua torcida em seu estádio.

Iremos voltar para a nossa casa, o Estádio Olímpico Nilton Santos. Agora, com as cores do nosso clube, todo customizado para a próxima temporada. Infelizmente, o agora Estádio Luso-Brasileiro terá o Flamengo, que tem uma torcida que debochou do estádio e que agora, comemora e acha que "tomou o estádio do Botafogo", o que chega a ser uma piada (risos). Só para esclarecer: o Luso-Brasileiro foi algo provisório, mas agora, iremos voltar para o nosso estádio olímpico e jogar a Libertadores em um estádio digno da grandeza da competição.

Mas, de qualquer forma, sempre lembrarei com muito carinho do que foi um dia, a Arena Botafogo. Que no ano que vem, o Nilton Santos possa ter uma atmosfera dobrada e com a torcida abraçando o Botafogo e fazendo do estádio, a nossa verdadeira casa. Que nós possamos encher o estádio todo jogo. Que nós possamos fazer no Nilton Santos, festas maravilhosas e melhores do que fizemos na Arena! A nossa casa está de volta, lar doce lar.

AMEAÇA A VISTA, OBJETIVO CUMPRIDO E O GRANDE DIFERENCIAL EM 2016: 

Após uma arrancada espetacular, o Botafogo começou a ter um jejum de vitórias, de gols e de boas atuações. Após a vitória sobre o Santa Cruz - fora de casa e novamente com gol marcado no fim -, os próximos jogos do Botafogo eram esses: Coritiba (c), Flamengo (f), Chapecoense (c), Palmeiras (f), Ponte Preta (c) e Grêmio (f). Bastava o Botafogo ganhar os três jogos em casa, que garantiria a vaga sem sofrer riscos, mas adivinha o que aconteceu? Isso mesmo. O Botafogo não ganhou nenhum dos três jogos em casa. O Botafogo tem essa mania: complicar tudo o que é fácil. Afinal, tem coisas que só acontecem com o Botafogo.

Enfrentamos um Coritiba em casa, recém-eliminado da Copa Sul-americana. O Botafogo encontrou um goleiro do outro lado, totalmente inspirado. Não deixou passar uma e teve uma atuação espetacular. A partida terminou em 0x0. Culpa do placar? Foi do Wilson, goleiro do Coritiba. Depois, enfrentamos o Flamengo, no Maracanã. A torcida do Botafogo nesse jogo só teve os 10% da carga dos ingressos disponíveis, e cantou mais que os 40 mil flamenguistas presentes no Maracanã. Expectativa do jogo era a melhor possível, envolvendo todos os ingredientes. Mas o que vimos na realidade, foi um jogo sem gols e com chances claras que foram perdidas, destacando as melhores chances que o Pimpão teve no jogo e não conseguiu êxito em nenhuma delas. Um jogo com muitos dribles, canetas e chapéus para os dois lados. Destaque para a boa atuação do setor defensivo da equipe alvinegra.

Jogo terminou em 0x0, placar que
  não é normal se ver nesse clássico.

A partida agora, era contra a nossa querida Chapecoense. Os guerreiros fizeram por onde pra sair com o belo resultado que conseguiram em nossa casa. Mérito deles e péssima atuação da equipe comandada por Jair Ventura, que nessa sequência de cinco jogos sem vencer, mexeu errado várias vezes. Camilo, que ao longo do campeonato, não conseguiu manter uma regularidade de atuação e com um papel tático onde ele não conseguia exercer sozinho, foi bem nesse jogo contra sua ex-equipe. Foi o melhor jogador do Botafogo na partida em minha opinião. O pior do jogo, foi disparadamente o Emerson, que teve culpa nos dois gols da equipe catarinense. No primeiro gol, não subiu pra evitar a cabeçada de Kempes, no segundo gol, indecisão para dar o bote em Sérgio Manoel. Resultado que pode ser colocado tranquilamente na conta do jovem zagueiro do Botafogo, que tem muito a evoluir.

Veio o jogo contra o Palmeiras, aonde o Jair se equivocou ao colocar o Fernandes. Um jogador que entrou no lugar de Alemão, que saiu machucado após entrada dura de Zé Roberto, que nem levou cartão amarelo. Entrou muito mal e comprometeu a atuação da equipe. Gastar duas mexidas com ele é algo muito grave, e o Jair errou feio em não ter colocado o Leandrinho no lugar do Alemão, já naquele momento. Leandrinho foi expulso após uma entrada muito dura em Dudu, autor do gol do jogo. Em um gol que a defesa do Botafogo falhou, e o Emerson, mais uma vez, indeciso na hora de dar o bote.

O confronto da vez era contra a Ponte Preta, e com a situação na tabela, bastava ganhar e o Botafogo estava classificado para a Libertadores. Teve-se muito tempo para treinar e ajustar os detalhes na equipe. O jogo era em casa, a atmosfera era favorável e tivemos um Botafogo no primeiro tempo comandando as ações. O primeiro gol com uma boa pitada de sorte de Sassá. Mas aí, antes mesmo do fim do primeiro tempo, viu-se uma equipe muito acomodada, achando que poderia resolver o jogo na hora que bem entendesse. Clayton foi expulso após uma reclamação acintosa com o árbitro, se ele não tivesse sido expulso, era bem provável o Botafogo ter sofrido o revés.

Um Botafogo em campo com o controle das
ações, mas sem objetividade.

Sofremos o empate, gol de Pottker após um cruzamento que atravessou toda a área. Nenhum integrante da defesa procurou voltar e tentar cortar o cruzamento. Falha da defesa? Talvez. A partir daí, viu-se um Botafogo levantando muitas bolas para a área, mas sem ninguém da equipe alvinegra com qualidade no jogo aéreo. Ou seja, bolas sendo levantadas inutilmente. Empatamos, mas tivemos sorte por conta do resultado do Corinthians, adversário direto na briga por uma vaga no G-6. Enfrentaríamos um Grêmio de ressaca, com reservas e comemorando o título da Copa do Brasil. Era o principal jogo da temporada.

Pegamos um Grêmio INTEIRO reserva, até o treinador era um auxiliar. Tivemos apenas a exceção do Kannemann, que atuou nessa última partida do Campeonato. No primeiro tempo, tivemos uma boa postura, atacamos e fizemos um gol com Bruno Silva. Aírton, que foi fundamental durante toda a temporada, tomou um cartão bobo. A expulsão foi após uma confusão que o Sassá causou, faltando pouco tempo para a primeira etapa terminar. Boatos de que o Jair Ventura queria fazer uns carinhos em Sassá, mas foi contido por Camilo. Na volta pro segundo tempo e com um jogador a menos, Jair sacou o Sassá para colocar o Lindoso, e naturalmente, adotou uma postura mais defensiva. Na maior parte do segundo tempo, vimos um Grêmio se impondo e de uma certa forma, fazendo valer o mando de campo. Pachu, jovem jogador, fazia a sua estreia nos profissionais. Entrou e tocou algumas vezes na bola. Final do jogo - como é de praxe no futebol quando um time já tem o resultado necessário - o Botafogo segurou a bola na frente e o árbitro colocou ponto final, Botafogo classificado para a Libertadores!

Libertadores qualquer dia tamo aê! 

Calamos a boca de muita gente! Inclusive do senhor Casagrande, que afirmou a não ida do Botafogo para a Libertadores. Uma campanha ótima, com uma arrancada espetacular comandada por Jair Ventura, não merecia outro desfecho. Apesar de cinco jogos sem vencer e de quatro sem marcar um gol sequer, o que deve ser observado, é o contexto geral. No início da temporada, o objetivo era apenas permanecer na Série A, mas fomos além. Classificamos para a Libertadores. Calamos a boca de certas pessoas, que terão homenagens no final deste texto.

Mas, não podemos terminar este tópico sem falar especialmente de um cara que foi essencial para o Botafogo nessa temporada, principalmente no segundo turno. Sim, não podemos deixar de falar do Jair Ventura.

Quando foi anunciada a saída do Ricardo Gomes para o São Paulo, boa parte dos torcedores - inclusive eu - ficaram preocupados com o futuro do Botafogo na competição. Quem iria assumir? Quem iria chegar e conseguir o principal objetivo do Botafogo naquele momento, que era ficar na Série A? Vários nomes como: Milton Mendes - que era o meu preferido até então -, Fernando Diniz e o menos provável: a efetivação do Jair Ventura. Quando foi levantada essa possibilidade por mim em uma página, grande maioria foi contra. Pois é, a diretoria efetivou o Jair Ventura como técnico do Botafogo, para a surpresa da maioria da torcida.

Era a grande chance da vida do filho do Furacão de 70.
 Foram 11 anos se preparando para uma chance como essa.

De imediato, critiquei fortemente a decisão da diretoria. Mas já tive uma leve impressão do trabalho do Jair Ventura, no ano passado. Sempre tenho o hábito de assistir os bastidores de cada jogo do Botafogo, que são postados pelo canal do Botafogo no Youtube. Lá na temporada passada, em 2015, o René Simões havia sido demitido, obviamente por causa da eliminação na Copa do Brasil. O jogo seguinte, era contra o Naútico, pela Série B. O Jair iria assumir a equipe por um jogo, para depois, o Ricardo Gomes chegar e implantar o que tinha em mente. Nos bastidores desse jogo, o Jair fez um discurso motivacional que me chamou atenção. Ali, eu já tirei uma pequena conclusão, e pensei comigo mesmo: "esse cara tem um futuro muito grande como técnico". Vale a pena assistir novamente os bastidores dessa partida, e principalmente, a parte em que ele motiva os jogadores antes de entrar em campo (o minuto 1:06, é a parte que o Jair Ventura falou antes dessa partida):

                          

Bom, como eu havia falado antes, eu critiquei fortemente essa decisão da diretoria de efetivar o Jair Ventura. Todos nós sabemos da aposta que a diretoria antiga fez em 2014, que foi colocar um técnico sem experiência alguma, e logo numa Libertadores, que nós ficamos 18 anos sem disputar. Aí, quando vi a notícia da efetivação, pensei de imediato nisso. Em 2014, fomos eliminados na fase de grupos da Libertadores, com um técnico inexperiente.

Só que a atual situação após a efetivação do Jair Ventura, era pior. Ele assumiu o Botafogo na zona de rebaixamento, na 17ª colocação. Como eu havia falado no início desse texto, o objetivo do Botafogo era permanecer na Série A. E eu levei muito em consideração, a inexperiência do Jair Ventura. Com isso, eu opinei da seguinte forma essa efetivação:

"Pô, olha o que a diretoria tá fazendo! Colocar um treinador sem experiência alguma pra assumir o time numa situação dessas! Se ele livrar o Botafogo do rebaixamento, já vai ser ótimo! Se não conseguir livrar, a diretoria irá queimar um profissional que demonstrou ser promissor nos bastidores!"

Sinceramente, pensei que seria algo igual a 2014. Quando ele comandou a equipe no primeiro jogo após a sua efetivação, ele fez o que eu esperava: manter o esquema montado pelo Ricardo Gomes. Mas não sabia que ele conhecia tão bem esse plantel do Botafogo, e aos poucos, foi implantando aquilo que tinha em mente, e deu certo! O tempo de preparação e o estudo do Jair, deram resultados. Nesse momento, eu já estaria satisfeito apenas em permanecer na Série A, mas ele alavancou o time no contexto geral e conseguiu chegar a essa impensável Libertadores!

Jair Ventura superou a desconfiança e fez um
excelente trabalho em 2016 no comando da equipe.

Aos poucos, ele foi ajustando os setores da equipe. O ataque, que era até então, uma dor de cabeça, ficou muito mais eficiente. A defesa ficou cada vez mais sólida e foi a menos vazada do segundo turno, com apenas nove gols sofridos. O Botafogo do primeiro turno era um, mas o Botafogo do segundo turno foi outro. A única semelhança do time do Ricardo Gomes e do Jair Ventura, é o esquema com os três volantes, que foi fundamental na temporada.

Mas em alguns jogos, o Jair conseguiu provar que realmente conhecia a fundo o elenco limitado que tinha em mãos e fez algumas improvisações que deram certo em momentos cruciais do campeonato, especialmente quando o time arrancava para terminar a temporada entre os cinco primeiros na competição. No jogo contra o Cruzeiro, Emerson Santos foi improvisado na lateral-direita, e vale destacar a improvisação de Diogo Barbosa. Ele jogando como meia e consequentemente ajudando o Camilo no setor de uma certa forma, fez a diferença em jogos importantes. Jair também improvisou o Alemão no jogo contra o Palmeiras, jogando de forma mais aguda.

O Botafogo terminou o campeonato com a segunda melhor campanha do returno, ficando atrás apenas do campeão da competição, que foi a equipe do Palmeiras. É importante ressaltar o Jair no ambiente interno do elenco, no vestiário, na gestão de pessoas, coisa que ele costuma enfatizar. Algo muito importante também, foi a dedicação e o aprimoramento. Ele sempre disse em entrevistas que vai fazer cursos e mais cursos, pois é um eterno aprendiz. É de treinadores como esse que o futebol brasileiro precisa e era de treinador com essa mentalidade que o Botafogo estava precisando.

Jair Ventura com o prêmio de técnico revelação
do Campeonato Brasileiro.
Com total merecimento e indiscutivelmente, ele foi eleito o técnico revelação do Campeonato Brasileiro, comandando um elenco inferior tecnicamente do que várias equipes, com técnicos conhecidos e experientes no cenário nacional. De contrato renovado até o fim de 2018, ele irá comandar o Botafogo na Libertadores na próxima temporada. Que o Jair tenha um elenco mais qualificado e que ele consiga fazer um trabalho a longo prazo no nosso Botafogo!

O QUE NÃO SE DEVE REPETIR E O QUE SE DEVE FAZER: 

Final de temporada e sempre a mesma coisa: especulações, jogadores contratados e etc. Aqui vai algumas coisas que a diretoria não pode repetir e o que é preciso fazer.

O que não se deve repetir:

Contratar jogadores gringos desconhecidos, só vendo vídeos do YouTube? Isso é algo que nem se pode passar pela cabeça da diretoria e do setor de inteligência do clube! Por vídeo, até o Zarate é um bom jogador. Contratar vários jogadores para só ALGUNS darem certo? Isso é algo inaceitável, e ainda mais no Botafogo, que não vem vivendo os seus melhores dias no que se diz respeito a finanças. As contratações precisam ser mais cirúrgicas, e não se pode sair apostando em qualquer gringo. O jogador gringo, que vem de um futebol inferior tecnicamente ao futebol brasileiro, precisa se adaptar ao ritmo de jogo da Série A, precisa se adaptar ao país, precisa de tempo pra conseguir render o esperado, entre vários fatores. No Botafogo, o cara tem que chegar e jogar, assumir a responsabilidade, coisa que todos os gringos não fizeram, com exceção do Carli. Um planejamento igual ao dessa temporada, não se pode repetir. Afinal, iremos disputar uma Libertadores e várias outras competições. O calendário vai estar cheio! Portanto, nada de contratações erradas e de um planejamento ruim! Fica a dica, diretoria!

O que se deve fazer: 

Na próxima temporada, o Botafogo terá um calendário cheio de competições. Estadual, Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro e existe a possibilidade de disputar a Copa Sul-americana. Portanto, o que se deve fazer é dispensar os gringos que não conseguiram desempenhar um bom futebol, que é o caso do Lizio e do Salgueiro. Infelizmente, o Canales tem contrato até o final de 2017, mas se aparecer alguma proposta por ele, o negócio é vender imediatamente! Não podemos ter um jogador estrangeiro no departamento médico. Vale lembrar que em dentro de campo, o Canales não jogou quase nada! Não uso a palavra "absolutamente", porque ele fez um gol contra o Cruzeiro. Fora isso, é um jogador que não se pode contar em competição alguma. Anderson Aquino, Geovane Maranhão precisam estar na barca. Não agregaram em nada e praticamente passaram férias no Botafogo. Luís Henrique precisa ser emprestado para adquirir rodagem e experiência, ele é um jogador pro futuro do Botafogo. Fernandes e Diérson são jogadores que também precisam sair, por empréstimo ou em definitivo, entre muitos outros. É montar uma barca, aliviar a folha salarial e montar um elenco forte, extenso e competitivo para a próxima temporada. Fica novamente a dica para a diretoria do Botafogo!

PARECE QUE ALGUÉM NÃO VAI ASSISTIR O TIME NA LIBERTADORES (RISOS): 

Como eu havia dito no texto, agora irei fazer uma espécie de "homenagem" a aquele que disse que o Botafogo já tinha caído, logo na primeira rodada do Brasileirão! Veja essa pérola e divirta-se com o comediante José Ferreira Neto, da Bandeirantes:

                         

Craque Neto, primeiramente, todo comentarista que trabalha na imprensa não pode ser parcial a algum clube, mesmo se você é torcedor e/ou defendeu ele durante a sua carreira como jogador de futebol. Pode-se perceber que a palavra "imparcialidade" não faz parte de seu dicionário, diga-se de passagem! Outra coisa importante: você não pode cravar um rebaixamento de uma equipe na primeira rodada do campeonato, sendo que nesse caso, faltavam mais 37 rodadas a serem disputadas. Você trabalha numa emissora, você não está falando sobre futebol em um boteco! Baita besteira que você disse, diga-se de passagem!

Agora, a coisa mais importante a ser dita aqui, Netão: quando você disse que o time do Botafogo era muito ruim, creio que você mexeu com a parte pessoal de vários jogadores do elenco do Botafogo. Tenho certeza que todos eles - tendo qualidade ou não - trabalharam e lutaram muito para se tornar um jogador profissional de futebol, como você já foi um dia. Isso é uma tremenda falta de respeito com vários profissionais! Eu fico extremamente envergonhado pela Bandeirantes, que tem um "comentarista" que desrespeita vários jogadores com suas declarações. Vá aprender o significado da palavra "imparcial" pra depois falar algo na televisão para milhares de expectadores!

Você pediu desculpa pelos comentários feitos? Isso pouco me interessa, abraço! 

Essa foi a retrospectiva de toda a temporada do Botafogo, com opiniões contidas praticamente em todos os tópicos do texto. Que 2017 seja uma temporada melhor e de conquistas para nós e principalmente, para o nosso Botafogo!

Saudações alvinegras!